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“Uma história natural das cores deveria referir-se à sua ocorrência na natureza, não à sua essência.” A cor palavra. A palavra fotografada. A cor tentando se explicar. Literalmente. Intangíveis, cores não passam de convenções, de conceitos abstratos. Não temos como avaliar se a noção de cor de cada um é exatamente igual. E, na tentativa de criar um denominador comum, nomes são dados a elas, nomes de coisas. Afinal é através destas coisas que vemos as cores. Mas as pessoas realmente se dão conta que o azul montanha tem este nome por que as montanhas, vistas ao longe, tem esta cor? Fotografando as “coisas” que dão nome às cores é instigada, de forma lúdica, a reflexão de ambos os signos, o visual e o verbal, além das relações entre real e imaginário, natureza e convenção. A fotografia permite este jogo pela sua característica de signo indicial, ou seja, através dela é possível trazer o referente original à visão, referente este que, no uso corriqueiro das palavras, vira um dado quase tão abstrato quanto a cor que indica. “A Natural History of the colors should refer to its occurrence in nature, not its essence.” Color as a word. The photographed word. It is color trying to explain itself. Literally. Intangibles, colors are merely conventions, abstract concepts. We cannot tell if people see colors exactly in the same way. So, in an attempt to find a common denominator, names are given to colors, names of "things". After all, it is through those "things" that we see colors. But do people realize that "mountain blue" has its name because of mountains that can be seen from afar? By photographing those "things" that name colors, we invite one to reflect, playfully, on both signs: visual and verbal. Also on the relation between real and imaginary, nature and convention. Photography allows us to play this game because it is an indexical sign, that is, it brings us the original referent to sight, the one that, in the ordinary use of words, turns into something as abstract as the color it refers to.
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